Nada do que construí foi só: um protesto pelo fim dos encontros adiados com elas

Foto de Priscilla Du Preez 🇨🇦 na Unsplash

Essa é uma carta aberta às mulheres que caminham comigo — e talvez também às que caminham com você.

O mês de maio passou a acumular cada vez mais significado para mim. Celebro meu aniversário no dia 21, mas também celebro o mês da família, o dia das mães, a plenitude do outono (minha estação favorita) e nesse ano em especial, foi um mês para novos projetos.

Para construir algo novo é importante olhar para a nossa história, e fazendo isso eu noto o quanto a presença de mulheres reais no meu caminho alteraram o curso da minha vida para melhor. Me pego constantemente gastando tempo demais com conteúdos na internet que não me geram nada além de ansiedade, mas é difícil eu olhar para a vida real e identificar um tempo que não foi bem gasto ao sair para tomar café com uma amiga ou comer um bolo na casa vó. Eu aprendi muito mais ouvindo mulheres simples na consagração de terça de manhã na minha pequena igreja, do que em longas palestras construídas para motivar trabalhadores.

Nas minhas recentes construções eu acabo enxergando um propósito mais paupável e riqueza de significado nas histórias não contadas das mulheres que me rodeiam. São histórias imperfeitas de pessoas que persistiram, mulheres que insistiram em existir como são, reconhecendo suas falhas e limitações, mas acreditando que vai ficar tudo bem. Só no meu ciclo, há dezenas delas lutando contra o adoecimento do capitalismo sem nem perceber, mesmo aquelas que por vezes reproduzem os discursos pensados para lhes oprimir.

O que eu quero trazer nesse texto é a necessidade de seguir procurando formas de me encontrar, de sair, de me relacionar com tias, amigas, irmãs da igreja, vizinhas e colegas de trabalho. É insistir para que você faça o mesmo. E eu digo isso em um momento de muita falha da minha parte para com elas. Para a minha avó, eu devo muito mais tempo disponível quando ela está na cidade. Para as minhas primas Ester, Paula e Gi, eu devo uma viagem para o interior para vê-las. Para a Kelly e a Regina, eu devo uma visita ou um café (ou seja lá o que der, elas sempre topam). Para a Vitória e a Line eu devo uma viagem distante, mas necessária demais. Para as irmãs da igreja, um encontro aqui em casa – e uma visita na casa delas. Para as minhas tias também. Para a Lu e a Sabrina, Olímpia. Para algumas vizinhas, meu telefone. Para as amigas e parentes que são profissionais e/ou empreendedoras, mais atenção e apoio aos seus negócios e carreiras. Para as amigas que faz tempo que não vejo, um reencontro. Para as meninas da sede, outra festa junina. Para a Jéssica, que vejo todos os dias quase, um tempo sem falar do Arthur – nosso principal assunto de 2 anos pra cá. Para a Isa, mais abraços. Para a minha mãe, além do mundo, um pouco mais de calma. E esse texto ficaria absolutamente cansativo com a lista completa. Mas pensar nessa lista me faz repensar no tanto que estou deixando de aprender por adiar esses encontros reais para quando “tiver tempo”, mesmo sabendo que tempo é algo que não se possuí, mas se gasta, se vive, se vai.

Nada do que construí — seja como mãe, cristã ou profissional — foi feito sozinha. E nada do que eu construir de novo, será na solidão.

Eu celebro esse mês não só minha vida, mas a força da comunidade feminina que me cerca. Uma comunidade composta por mulheres que pensam, agem, votam e exercem sua fé das mais diversas formas. Até opostas às vezes.

Mulheres que oram comigo.
Mulheres que sonham junto.
Mulheres que não me deixam sumir.
Mulheres que me escutam (esse é importante demais).
Mulheres que me sustentam quando eu penso em desistir.

Somos corpo. Somos ponte. Somos resposta de oração umas para as outras. E assim, resistimos!

5 comentário em “Nada do que construí foi só: um protesto pelo fim dos encontros adiados com elas

  1. Ual, que intenso hein!
    Não poderia ser diferente né, você sendo você, intensa e humana!
    Cancela Olímpia, vamos para outro lugar mais perto! Rs

  2. Lindo texto Sara!
    Como sempre nos inspirando e nos fazendo refletir sobre questões tão importantes neste tempo como o tempo, as mulheres, a vida.
    Gratidão por este texto! ☺️

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